quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

DOIS PONTOS INSEPARÁVEIS: A SABEDORIA E O TEMOR


Buscamos na profundeza de nossa alma a explicação para a nossa existência. Mas, somente em Deus encontramos as respostas necessárias para nossa indagação.  Vivemos num mundo de grandes desafios no qual fomos inseridos pela dádiva da vida, enfrentamos constantes obstáculos ao longo de nossa trajetória. Não há escapatória por mais que tomemos alguns atalhos. Alguns de nós buscamos respostas em nós mesmos e assim às vezes sobressaímos do anonimato expressando pensamentos filosóficos que para a humanidade parece ser profundo e inteligente, mas, que nunca nos trás respostas absolutas. Surgem grupos que se tornam seguidores de pensadores idealistas e utópicos em seus devaneios.
O relativismo da modernidade abriu um grande leque para qualquer pensamento contrário ao que é moral. A incerteza do que é certo, a certeza do que é errado e a neutralidade dos dois levam a loucura da humanidade em fazer suas próprias regras insanas. Se colocarmos um dedo em água fria e ao mesmo tempo o outro dedo da outra mão na água quente, depois colocamos os mesmos dedos em aguas com temperatura normal, ainda assim sentiremos que um dedo está na água fria e o outro na água quente. Da mesma forma são nossos sentimentos para com este mundo. Isso nos leva a entender que nem sempre os nossos sentimentos ou pensamentos estão absolutamente corretos quando o concluímos somente pelo que achamos, sem nos aprofundarmos e discutirmos.
Perdemos a nossa visão de objetivos saldáveis quando não lançamos mão de uma base de princípios sólidos, justos e seguros. Nossa sociedade, hoje em dia se consolidou na formação de propósitos egocêntricos e individualistas, trazendo um resultado de uma base de diversos grupos com pensamentos heterogêneos. A existência de pensamentos divergentes não deveria levar a humanidade a ser separatista e egocêntrica, mas é o pecado que transformam pensamentos diferentes em arma contra a própria humanidade. Os pensamentos diferentes podem ser valorosos nas discursões sadias para uma conclusão que favoreçam a maioria e a minoria aceita, sabemos distinguir o que é certo ou errado na lei universal que vem gravada no coração humano, o que falta é refletir melhor nesta lei. Mas, hoje isso parece utopia. Esquecemos que  o verdadeiro cristianismo nos trás todas estas respostas que são satisfatórias. Quando digo cristianismo não estou falando de catolicismo, evangelicalismo ou movimentos batistas, presbiterianos, pentecostais, etc. Estou falando do Evangelho de Cristo, dos seus ensinos, de sua humanidade e divindade de sua perfeição que é a base para uma verdadeira vida cristã.
Ficamos abismados com a imagem da igreja de Cristo em nossos dias. Pensamos como podemos mudar este quadro devastador, por um lado o crescimento de igrejas é enorme e por outro lado o conhecimento profundo do verdadeiro Evangelho é decadente. Esquecemo-nos dos princípios básicos que nos leva na formação do ideal de Deus, sermos mais parecidos com Cristo. Hoje, as igrejas querem ser mais parecidas com seus líderes. Há lideres que querem ser parecidos com os reis. E o povo de “Deus” quer ser súditos não de Deus, mas dos homens.  O evangelho apresentado por estes líderes é um evangelho barato, fragmentado, diluído que não oferece profundidade, convicção, amor.  Fico pensando em milhares de pessoas que são iludidas com os evangelhos que mostram soluções imediatistas e materialistas, que pregam igrejas e não Cristo, que não dão de graça aquilo que receberam, mas vendem aquilo que não tem, e enriquecem vendendo uma “mercadoria falsa” dizendo que é de qualidade. Tudo isso acontece por causa dos próprios desejos da humanidade. A satisfação em ter é maior do que o ser. Quando se anuncia que há facilidades em adquirir algo para satisfazer os desejos que muitas vezes não são necessários, pois muitos desejos são induzidos pela parafernália da propaganda enganosa, pelo marketing persuasivo da mídia televisiva e internet, que outrora eram usadas por empresas, agora são usadas na igreja.  Vivemos em um mundo moderno em que a leitura não é mais profunda e indagativa. As informações são rápidas, sem muitas explicações e sempre aceitáveis como verdade. A comunicação está cada vez mais tecnológica, robótica e menos pessoal e social.  As crianças são induzidas desde sua tenra idade a se prepararem para sobreviverem em uma sociedade competitiva e individualistas, com isso a família é dividida e também destruída. O principio da formação familiar, do pai, mãe e filhos, agora pode ser formada por pai, pai e filhos ou mãe, mãe e filhos, isso é um absurdo! Pois extrapola as leis físicas e morais da natureza que Deus criou, homem e homem, mulher e mulher não se encaixam fisicamente de acordo com sua natureza, amorosamente e nem sexualmente na lei moral, e se todos pensassem que sim seria o fim da procriação e da humanidade. Todas estas coisas tem uma explicação básica que podemos deduzir das Palavras do Criador reveladas em Seu livro Sagrado.
O salmista expressa com sabedoria, pois é revelada pelo próprio Espírito de Deus e registrada em Salmo 111:10 “O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre”.
A igreja de Cristo neste mundo é a luz nas trevas do conhecimento humanista e egocêntrico, o Senhor nosso Deus nos ensina que devemos respeitar e temer aquele que nos criou, aquele que nos deu vida e que cuida. Nosso conhecimento, sabedoria só poderá ser saldável se voltarmos ao temor o Senhor.  O apóstolo e evangelista Mateus registra em seu Evangelho uma passagem em que o Senhor Jesus prega o mais profundo sermão de seu ministério “O Sermão do Monte”, “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Mateus 6:33.
Buscar primeiro a Deus antes de tudo e de todas as coisas, é ter sabedoria. Quando O buscamos, O conhecemos e O tememos. Assim, teremos verdadeira sabedoria.
Pastor Edson Sobreira Alves

Igreja Batista Regular em Mangabeira – João Pessoa - PB

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Vida e Morte


Os dois acontecimentos mais fortes e importantes na vida física e humana é o nascimento e a morte (Dt 30:19). Um traz grande alegria e outro, grande tristeza.  Dois fatos opostos que se atraem pelo fator tempo. Dois pontos estremos da vida que a metida que o tempo passa inevitavelmente atinge o outro lado. Nascemos, vivemos, envelhecemos e morremos, esse é o ciclo natural da vida humana? Não! A princípio, fomos criados para usufruirmos das duas primeiras etapas, nascer e viver. A segunda e terceira surgiu após a queda do homem. A vida é feita de expectativas, sonhos e decisões. Ao longo do tempo em que vivemos tomamos decisões com expectativas de atingirmos nossos sonhos, nossos objetivos, mas quando não conseguimos atingi-los, nos frustramos. Mas, na trajetória da vida não sabemos o futuro, quanto tempo teremos. Vivemos com incertezas e procuramos valorizar nossa vida com intensidade, mas não sabemos viver corretamente. Tomamos decisões erradas, nos alimentamos erroneamente, não praticamos exercícios físicos como deveríamos e tratamos com indiferença nosso próximo. Contudo, queremos viver bem e por muito tempo neste mundo e muitos acham que nunca irão morrer.
 Observando grandes milionários e poderosos neste mundo e até alguns que convivi, pude observar as grandes frustrações já no final de suas vidas. Fico pensando o que adiantou tanta correria, tanta preocupação com seu próprio eu, tanta riqueza, pois nada poderiam levar para eternidade. Os egípcios pensavam que poderiam usufruir de seus bens após a morte física por isso construíram catacumbas enormes, pirâmides não somente para conter seus corpos embalsamados como também suas riquezas, eles pensavam que poderiam usar suas riquezas adquiridas deste mundo, na outra vida (Jo 12:25). O mundo não consegue entender o verdadeiro sentido da vida. A natureza do homem caído trouxe consequências desastrosas não somente para ele, mas para toda a criação. O homem natural não consegue enxergar o verdadeiro sentido da vida, apesar de ter em seu DNA a lei moral gravada em seu coração e pela graça comum dada a todos pelo Criador, alguns conseguem aparentemente serem bons e respeitar o próximo (Mt 5:45).
Mas todos se esqueceram do porque nasceram neste mundo. Nós fomos criados por Deus para sermos seus adoradores, mas por causa do pecado, passamos a adorar a nós mesmos. Ficamos separados do Criador pelo pecado que é uma muralha intransponível ao ser humano. Mas Deus em sua infinita bondade e amor providenciou um Salvador para todos que acreditassem nele. Jesus o Filho de Deus foi e é, a porta, a ponte, a água viva, o caminho, o alimento que nunca se acaba, o esplendor da glória que dá a oportunidade de que cada pessoa possa voltar a ter um relacionamento real de amor com o Criador. Muitos já foram alcançados por essa dádiva da vida. Então, a vida volta a ter um verdadeiro sentido, mesmo que morra terá a vida eterna e um dia receberá um novo corpo, a ressurreição experimentada por Cristo e prometida a todos que se entregam e confiam nele.
Muitos homens e mulheres que viveram e vivem neste mundo e entregaram suas vidas à Cristo, cumpriram e cumprem seu proposito determinado pelo Criador (Ef 3:11).

Conheci um grande homem, grande em muitos sentidos, em sua estatura e em seu amor por Cristo e por sua obra. Dedicou-se a resgatar os excluídos deste mundo que não podiam ouvir os sons da natureza criada por Deus. Ele sabia que estas pessoas tinham que “ouvir” acerca do evangelho e ensinou a muitos sua linguagem. Intensificou a linguagem de sinais, “Libras” nas igrejas cristãs do Brasil e da América Latina. Tive o prazer de participar, junto com minha esposa, de alguns trabalhos evangelísticos de grande intensidade que ele promovia e incentivava, usando “as três portas”, um método que usamos para chamar a atenção das pessoas para ouvir o evangelho. Algumas madrugadas, estivemos no meio de uma grande festa, vendo milhares de pessoas se perdendo em seus desejos em uma pequena cidade do Ceará, Crato. Numa barraca alugada por ele, pregávamos o evangelho chamando a atenção através “as três portas”.  O missionário John Peterson junto com sua esposa “Gina” foram uns dos meus professores no SBC. Nunca me esqueço de uma expressão que ele sempre usava quando me via: “Vá bene”. Ele usava algumas ilustrações, de sua própria vida, em suas pregações que eram muito hilárias, e sempre estava com um sorriso no rosto expressando o amor que ele tinha pelas almas perdidas neste mundo. Grande homem que agora está no lugar mais intenso e maravilhoso da eternidade ao lado do Senhor Jesus.

Pr. Edson Sobreira Alves