segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A DIDÁTICA ANDRAGÓGICA DE JESUS


A DIDÁTICA ANDRAGÓGICA DE JESUS


Edson Sobreira Alves*
“Aplica o coração ao ensino e os ouvidos às palavras do conhecimento” (Provérbios 23.12)
RESUMO
Neste artigo o autor, procura mostrar a importância do método de ensino teológico usado por Jesus. Ele escolheu homens adultos nos diferentes seguimentos daquela sociedade, assim ele usou a andragogia[1]. Durante os três anos ele aplicou uma perfeita didática para o sucesso na formação dos discípulos. A principal missão de Jesus foi entregar sua vida como sacrifício pelos pecados. A missão dos doze discípulos escolhidos – espalhar o Evangelho a todas as nações. Homens simples, alguns até de duvidoso caráter dentro da sociedade. A maioria, pescadores, outros, como cobradores de impostos, odiados pelos próprios patrícios. Jesus, com base em sua formação judaica, usou em suas preleções expositivas para o ensino do Evangelho. O uso dos mandamentos bíblicos foi importante para seu ensino, pois era cotidiano de seus ouvintes. Ele usou parábolas, método eficaz no contexto judaico. Tanto seus discípulos quanto seus inimigos, ficavam admirados, pois os ensinava com autoridade e humildade.
PALAVRAS-CHAVE
Andragogia; Ensino; Jesus; Parábolas.
INTRODUÇÃO
O ser humano é munido de intelecto que favorece um constante aprendizado, desde seu nascimento ao longo de sua vida e até sua morte, ele não cessa de aprender. Há diferentes métodos de aprendizados para diversas faixas etárias. A criança começa a aprender por imitação, observando seus pais, desenvolvendo a fala e naturalmente usando seus membros superiores e inferiores para pegar e andar respectivamente. O desenvolvimento da comunicação começa com sua necessidade da alimentação onde seu primeiro sinal de expressar que está na hora de comer algo é através do choro. Quando todos esses processos primários e naturais estão basicamente desenvolvidos, começam a surgir maior atenção e orientação da parte dos pais e dos educadores para formação daquele indivíduo para a sociedade. Dependendo da forma e do conteúdo de aprendizado somados ao contexto social em que vive e ao que recebe durante suas duas primeiras décadas de vida, resultará em uma pessoa bem sucedida ou mal sucedida.
O povo judeu, no Antigo Testamento e no início do Novo testamento foi orientado na formação de sua vida pelos princípios teológicos do Deus de Israel. A base do ensino judaico acerca das leis que regiam esse povo, eram amplamente e rigorosamente inseridas, em suas mentes desde sua infância (Deuteronômios 6.4-9), através do judaísmo que por sua vez serviu como base da formação do cristianismo.
Diante disso, queremos observar alguns aspectos e o propósito da educação teológica através do método usado pelo Senhor Jesus na formação dos doze discípulos, considerando um dos propósitos: a Grande Missão. Assim teremos uma visão clara da eficácia dos métodos de ensino empregados pelo Senhor Jesus Cristo.
Pode-se observar que este estudo mostra três pontos principais que serviram como base para o ensino de Jesus e assim entendermos porque ele foi bem sucedido. Os pontos são: os mandamentos do Antigo Testamento, as parábolas como recurso didático para embasar os ensinos e as boas novas que é o Evangelho que interage com seu próprio testemunho e o propósito de vida do próprio professor, Jesus.
I.                   O USO DOS MANDAMENTOS DO ANTIGO TESTAMENTO
Jesus sendo judeu tinha como base, de seus estudos teológicos, o judaísmo que influenciava no âmbito tanto religioso quanto cultural e social de um povo escolhido e separado por Deus. Os judeus tinham a preocupação de inserir sua religião como formação de sua sociedade regida pelo Deus de Israel. Desde Abraão, seu patriarca, o povo de Israel recebeu os ensinos pela tradição passando de pai para filho, que passaram a serem os preceitos morais e cerimoniais.
Todos os ensinos da tradição foram compilados a partir dos cinco primeiros livros das Escrituras, chamado “Pentateuco”, fazendo parte inicial da Bíblia do Antigo Testamento que foram escritos por Moisés, mas “inspirado por Deus” (2 Timóteo 3.16). Portanto, o povo com os ensinamentos de Deus em mãos foram passando para novas gerações através da didática da repetição, decoração de versículos, leitura pública da Palavra, preleções e exortações de profetas, juízes, sacerdotes e reis. Eles contavam as histórias do seu povo, e o próprio Deus interagia com eles, os ensinando e os inspirando a escreverem os registros bíblicos, completando assim o Antigo Testamento.
Os livros do Antigo Testamento se transformaram em um manual de ensino ao povo de Israel, com leis morais, leis cerimoniais, que orientavam todos a adorarem e a obedecerem ao único Deus (Monoteísmo). Uma grande nação que fora perseguida e dispersa.
O Antigo Testamento começa mostrando a criação e o princípio da humanidade na terra. Ele dá respostas claras do princípio de tudo e do poder do Criador, mostra também a condição do homem destituído de Deus por causa do pecado da desobediência, um Deus misericordioso que levanta uma nação separada das outras para voltarem a adorar um Deus único. Finalmente mostra uma promessa para remissão do pecado da humanidade vinda através dos próprios judeus.
Jesus aparece nos tempos do Novo Testamento, trazendo boas – novas  para um povo perdido, o Evangelho. Jesus começa seu ministério escolhendo dentre a multidão de pessoas que estão lhe seguindo, doze homens, que serão preparados para uma grande missão. Durante aproximadamente três anos, Jesus ensina estes homens e dá inicio a maior mudança que humanidade pode ter durante toda sua existência.
Os judeus, doutores da Lei, os fariseus, os escribas começaram a observar uma mudança muito grande, que nunca houve antes. E testaram Jesus procurando algo em que o condenasse. Mas ele ensinava como quem tinha autoridade (Marcos 1.22) e humildade. Tudo o que ele aprendeu no judaísmo serviu como base para seu novo ensinamento acerca do Evangelho. Ele preparou seus apóstolos para serem enviados para espalhar seus ensinos a toda as nações. Nota que Jesus escolheu pessoas de diversos segmentos na sociedade, pescadores, coletores de impostos e outros. Ele não escolheu crianças que pudesse começar do zero formando o caráter de cada uma delas, mas iniciou com adultos, com caráter já formado e pressupostos de suas experiências de vida, assim ele não usou a pedagogia para ensiná-los, mas usou a andragogia.
 Segundo Antônio Carlos Gil (2007, p.12) o termo “Andragogia é usado para referir-se à arte e a ciência de orientar os adultos a aprender”.
 A Andragogia “fundamenta-se nos seguintes princípios: No conceito de aprendente; necessidade do conhecimento; motivação para aprender; o papel da experiência e prontidão para o aprendizado” (Gil, 2007, p. 12, 13).
A Andragogia usada por Jesus como didática possibilitava um aprendizado mais eficaz devido haver “variáveis comuns aos alunos” (os discípulos), “ao professor” (Jesus) e ao “curso”(o Evangelho com base do Judaísmo) (Gil, 2007, p. 13-16).
II.                O USO DAS PARÁBOLAS
Jesus usou as parábolas como um recurso didático para passar aos seus discípulos aquilo que ele queria que eles aprendessem.
Parábolas era um costume didático do judaísmo, também usado nos tempos do Antigo Testamento.
O que realmente significa a parábola? Para entendermos um pouco sobre o significado da parábola, o intérprete de parábolas do século XX, Jeremias (apud KENNETH BAILEY[2], 1995, p.12,13) observou:

Esta palavra (parábola) pode significar, na linguagem comum do judaísmo pós-bíblico, sem que recorra a uma classificação formal, formas figurativas de linguagem de todos os tipos: parábola, símile, alegoria, fábula, provérbio, revelação apocalíptica, enigma, símbolo, pseudônimo, pessoa fictícia, exemplo, tema, argumento, apologia, refutação, anedota.

Jesus usou muitas parábolas. No Evangelho de Lucas onde elas são mais citadas, podemos observar uma delas como exemplo, a mais conhecida, a “Parábola do Semeador”, em seu comentário, (WIERSBE, 2009, p.258) faz uma introdução, ele escreveu:
                              
Um dos temas centrais de Lucas 8 é como desenvolver a fé e usá-la nas experiências diárias da vida. Na primeira seção, Jesus apresentou os fundamentos, ensinando a seus discípulos que a fé vem por receber a Palavra de Deus em um coração compreensivo. Na segunda parte, os fez passar por várias “avaliações” para ver quanto haviam aprendido de fato. A maioria de nós gostaria de escapar das avaliações, às quais, muitas vezes, somos submetidos depois das lições! No entanto, é nas provas da vida que a fé se desenvolve e que nos aproximamos de Cristo.

III.             O USO DAS BOAS-NOVAS
Ao estudarmos o evangelho de Jesus, nossa preocupação principal não pode ser com sistemas acadêmicos de teologia, nem com opiniões específicas de certos teólogos acerca de uma determinada doutrina. (MacArthur, 2008, p. 28).
Jesus ensinava para as multidões (Sermão do Monte), ensinava para seus apóstolos, e ensinava para indivíduos exclusivamente.
Uma das passagens mais marcantes e fundamentais de todo o Evangelho e porque não dizer de todas as Escrituras, tanto do Antigo Testamento como do Novo Testamento é o versículo que é conhecido em todo o mundo e que resume todo o plano de Deus para a humanidade. Ele está no Evangelho de João no capítulo 3 no verso 16 que diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Esta passagem se originou de um diálogo de Jesus com um doutor da Lei, o fariseu chamado Nicodemos. Jesus está ministrando um ensinamento profundo para um homem inteligente diante daquela sociedade Judaica. Nicodemos tinha uma posição honrada, segundo alguns comentaristas, ele temia ser visto em público com Jesus, então, ele foi à noite falar com Jesus para tirar algumas duvidas de seus ensinos.
Segundo MacArthur (2008, p. 46) sobre o encontro de Jesus com Nicodemos, ele diz:
Trata-se do primeiro encontro evangelístico pessoal de Jesus registrado nos evangelhos. Ironicamente Jesus, que tanto confrontou a falta de fé dos fariseus e seu antagonismo cabal, iniciou o seu ministério evangelístico atendendo a um líder fariseu que O procurou com uma declaração solene e entusiasmada. Poderíamos esperar que Jesus recebesse Nicodemos calorosamente e interpretasse a sua atitude positiva como uma profissão de fé, mas esse não foi o caso. Longe de encorajar Nicodemos, o Senhor Jesus, que conhecia a incredulidade e a auto-justiça existente no coração dele, tratou-o como incrédulo.
Jesus ensina Nicodemos que apesar de sua posição ele precisava nascer de novo. A expressão “nascer de novo” ficou marcada pelos cristãos como o marco da reconciliação do homem para com Deus. A analogia foi clara, Jesus mostra a ação da Criação mais sublime que Deus proporcionou ao homem de gerar sua própria espécie agora ele diz ao homem que ele tem que nascer de novo, mas do Espírito. A didática Andragógica torna-se explicita pela própria experiência do homem em gerar uma nova vida. Portanto, fica claro que seu novo nascimento que também é a renovação sua vida voltada aos conceitos fundamentais do cristianismo.
CONCLUSÃO
Conclui-se que os ensinos de Jesus transformaram o mundo que conhecemos e proporcionou uma visão clara e correta de quem somos, como vivemos e como devemos viver. Jesus não somente fez escolhas certas, também foi bem sucedido em seu propósito. Mesmo como homem em suas limitações ele provou que a humanidade é a criação mais sublime de Deus, e que toda a história gira em torno de Jesus Cristo proporcionando ao homem a solução para suas indagações inconclusas por si só. Vivendo como homem, Jesus interagiu com sua criação e deu oportunidade de uma abertura grandiosa de conhecimento que o homem jamais conseguiria enxergar. Ele mostrou que o ensino bem estruturado com amor e métodos que envolvem os indivíduos em seu cotidiano mesmo imperfeito, pode lhes proporcionar uma consciência limpa para ter como base o próprio Criador para sua reconstrução como um indivíduo se tornando e se posicionando como o Filho do Deus vivo.
ABSTRACT
In this article, the author tries to show the importance of theological teaching method used by Jesus. He chose adult men in different segments of that society, so he used andragogy. During the three years, he applied a didactic perfect for success in the training of disciples. The primary mission of Jesus was giving his life as a sacrifice for sins. The mission of the twelve disciples chosen - spread the Gospel to all nations. Simple men, some even of doubtful character within society. Most, fishermen, others, such as tax collectors, hated by their own compatriots. Jesus, based on his Jewish background, used in his expository lectures for the teaching of the Gospel. The use of biblical commandments was important in his teaching, for he was daily lives of his listeners. He used parables, effective method in the Jewish context. So much his disciples as his enemies were amazed, because he taught them with authority and humility.
KEYWORDS
Andragogy; Jesus; Education; Parables.


REFERÊNCIAS
BAILEY, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. Tradução de Adiel Almeida de Oliveira. 3. Ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.
GIL, Antônio Carlos, Didática do ensino superior. São Paulo: Atlas, 2007.
MACARTHUR JR, John F. O Evangelho Segundo Jesus. 2. Ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2008.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo – Antigo Testamento – volume 1 – Pentateuco. Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica editora, 2009.





*O autor é batista da Igreja Batista Regular de Mangabeira (IBRM), Pastor da IBRM, professor do Esdras – Instituto Teológico Bíblico. Está fazendo Mestrado em Exposição Bíblica pelo Seminário Batista Logos de São Paulo e radialista da Kadoshi Web Rádio. Graduado em Teologia Exegética pelo Seminário Batista do Cariri – CE (SBC), e graduado em Economia pela Universidade Regional do Cariri (URCA), também é pós-graduado em Administração pela Faculdade Leão Sampaio.
[1]Andragogia é a arte ou ciência de orientar adultos a aprender, segundo a definição creditada a Malcolm Knowles, na década de 1970. O termo remete a um conceito de educação voltada para o adulto, em contraposição à pedagogia, que se refere à educação de crianças (do grego paidós, criança).
[2] Dr. Kenneth Bailey viveu por 47 anos no Oriente Médio onde, como estudioso da área do Novo Testamento, foi professor em várias instituições de ensino, entre elas o Tantur Ecumenical Istitute for Theological Research, em Jerusalém.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

ALGUÉM NASCEU! MAS ESTE FEZ GRANDE DIFERENÇA.


Muitas pessoas nascem todos os dias. Alguém agora está nascendo entre bilhões de pessoas que existem neste mundo. Qual é a importância do nascimento de cada ser humano neste planeta?
O Criador conhece cada pessoa que nasceu na Terra, Ele já conhece todos que ainda irão nascer. São aproximadamente sete bilhões de pessoas neste pequeno planeta no meio do Universo e Ele sabe o nome de cada um e toda sua historia desde seu nascimento até a sua morte.
O salmista diz que o Senhor registra aquele que nasceu no mais longínquo e pequeno lugar. Ele diz: “O SENHOR, ao registrar os povos, dirá: Este nasceu lá.” (Salmo 87:6).
Quando alguém nasce, seu nascimento é celebrado pelos pais, pela família,. Alguns são celebrados por quase todo o mundo (celebridades). Uns são insignificante para o mundo. Uns são bem tratados, outros são jogados no lixo. Alguns deixam legado surpreendente, que marcam a história da humanidade.
Uns são simples e humildes, outros são polêmicos e excêntricos. Uns influenciam para o bem e outros para o mau. Uns são supervalorizados e outros são desprezados.
Certo bebê em sua primeira aparição pública desencadeou um grande espetáculo, dezenas de fotógrafos estavam registrando para o mundo este grande acontecimento em um dos mais ricos países do planeta.
Há muito tempo atrás, outro bebê em sua primeira aparição foi simplesmente para os olhos de alguns pastores de ovelhas que estava em uma região de uma pequena cidade do oriente.
O pai estava orgulhoso em mostrar o bebe para o mundo.
O outro teve que se esconder da perseguição de maus feitores.
O mundo queria ver aquele bebê para aplaudi-lo.
O mundo queria ver aquele outro bebê para matá-lo.
Um bebê estava voltando pra casa em um carro luxuoso e uma cadeira especial, confortável para sua segurança. O outro voltaria pra casa nos braços da mãe levada por um jumento.
O pai já estava cansado de trocar fraudas descartável, o outro estava envolto em panos.
Um ao nascer já era celebridade, garoto propaganda promovendo produtos nos dois países mais ricos do mundo. O outro somente pode ser conhecido pelo mundo depois dos seus 33 anos de idade a partir de sua morte.
Um é terceira geração de sucessão de um reinado que terá fim, o outro é o Rei dos reis e seu reinado não terá fim.

Um é o filho do príncipe Willian da Inglaterra e bisneto da rainha Elizabete II, o príncipe George. O outro é Filho de Deus, do Todo Poderoso, O Senhor Jesus Cristo.

Somente Ele, o Senhor Jesus Cristo fez a maior diferença na história humana. Dividiu o mundo em dois tempos, um antes de seu nascimento e o outro depois de seu nascimento. Jesus Cristo é o Messias prometido o Emmanuel, Deus conosco, veio para salvar os homens de uma eternidade de sofrimento eterno. Todo aquele que crer nele será salvo.
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz;” Isaías 9:6
Feliz Natal.
Pr. Edson Sobreira Alves

Igreja Batista Regular de Mangabeira – João Pessoa – PB.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

LIMPO E PURO, PRA QUÊ?


Quem suporta ver ou sentir sujeira? Alguém tem que limpar a mesma. Mas, não se deve ser jogada debaixo do tapete, escondê-la. Contudo, se deve colocá-la num saco e levá-la até calçada para que quando a coleta de lixo passar a possa ser levada. Por outro lado, sabemos que não é somente nossa casa que deve ser limpa, pois se deixamos de tomar banho durante alguns dias, certamente alguém que estiver perto de nós perceberá pelo mau cheiro exalado na qual suas narinas o denunciará.
Se acumularmos lixo em nossa casa, teremos grandes prejuízos, principalmente com nossa saúde.  Na proliferação de ratos, as baratas, as doenças. Mas eu não quero dar uma aula de higiene ambiental ou pessoal.
A palavra sujeira, analogicamente se transformou em sinônimo de algo mau, obscuro, algo que trás prejuízo, corrupto. Por outro lado o contrário deveria ser verdadeiro - O limpo é sinônimo de pureza, de bem, de saudável.
Mas o que é ser limpo e o que é ser sujo?
Em um mesmo objeto, ou ambiente pode haver os dois, um lado limpo e um lado sujo.
Um ovo de galinha pode ser bem branquinho por fora, mas por dentro poderá está podre. No meio de um lixão, por incrível que pareça pode-se encontrar uma pequena criança recém-nascida jogada por uma mãe insana.
Assim é o mundo e sua aparência. Por causa do pecado vemos vidas deturpadas, pessoas que tentam mostrar o que não são. Mostram uma limpeza superficial ou aparente. Porque no seu intimo reina o pecado.
É a hipocrisia que confunde os valores, alguém que está aparente limpo visualmente, externamente, pode estar sujo, internamente. Hipócritas, na época de Jesus, eram as pessoas que se dedicavam ao teatro de rua, que usavam máscaras para representar aquilo que não eram.
No mundo contemporâneo, vivemos em um mundo de imagens, pois o que vemos com nossos olhos é mais importante se é belo, cheiroso, brilhoso. Na maioria das vezes isso é apenas uma maquiagem que esconde defeitos que não podem ser revelados.
Vemos muitas pessoas vivendo de forma precária nas calçados, e muitos que perderam a sanidade e vivem divagando em suas vidas sem se preocuparem com a limpeza de seus próprios corpos, mas em seu intimo existe amargura, desprezo, falta de perdão, aguardando uma mão amiga para despertar um coração limpo.
Em Mateus 5:8 o autor narra o Senhor Jesus pregando no monte. Nesse versículo Ele fala sobre limpeza, sobre pureza:
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.”
Uma limpeza que só Ele pode providenciar em nossa vida.
As “Bem-aventuranças” constituem a introdução de seu sermão onde mostra logo no inicio as palavras: “Bem - aventurados...” com seu importante significado: é algo acima de qualquer alegria, de qualquer felicidade neste mundo. Jesus continua falando que uma pessoa será mais feliz que qualquer outra se estiver limpo, mas não significa, literalmente, a limpeza de seu corpo após um belo banho, nem também ter recolhido todo o lixo sua casa e levado para a calçada. Nem a limpeza aparente, superficial, somente por fora. Ele fala acerca de uma limpeza mais profunda, total, por dentro e por fora, uma limpeza espiritual.  Ele diz sobre a limpeza do coração. “Bem-aventurados são os limpos de coração...”
Então, o que realmente significa a limpeza do coração? O que nos vem à mente, em primeira mão, se pensarmos como uma criança, é a literalidade sobre a limpeza de nosso coração e ficamos imaginando como lavá-lo e como ele chegou a ficar sujo, como vamos levar o sabão até ele? Ou devemos trazê-lo para fora do corpo para lavá-lo? Entretanto, é obvio que não significa nada disso.
Existe uma expressão que diz: “Ele lavou a alma!”. Significa que se sentiu muito bem, atingiu a sua vontade ou seu objetivo em algo tão esperado ou mesmo sem esperar. Mas, “o coração limpo” é muito mais que isso, é algo em sua plenitude. É a pessoa reconhecer que valores absolutos e simples sucumbem os maiores valores desta vida, que os valores deste mundo que são passageiros e levam as pessoas a serem sujas para obterem a todo o custo estes valores, são capazes de desprezarem a própria família e sua própria vida.
Aquele que é sincero em seu compromisso com o reino da justiça também é puro em seu interior. Falsidade e engano interiores e depravação moral não podem coexistir com a devoção sincera a Cristo[1].
Os limpos de coração “verão a Deus”. O que significa para você poder ver a Deus? Por que Cristo disse essa frase em seu sermão?
Qual é o maior desejo de toda a humanidade? No coração está gravado o desejo de vida eterna, fazem de tudo para terem vida longa, quando envelhecem ficam frustrados, não conseguiram aproveitar realmente a vida, e a perderam eternamente.
Jesus disse que os mais felizes do mundo serão aqueles que terão vida eterna, e ter vida eterna é ver Deus, também no sentido de conhecê-Lo. E a única condição para ver Deus, ou ter a vida eterna é ter um coração puro, um coração limpo.
O coração Limpo é o próprio Evangelho, as boas novas.
Você tem um coração limpo?
Coração limpo é estar livre da influencia do pecado. O pecado que leva o homem a ter um coração sujo, que é a mesma expressão usada por Paulo quando escreveu ao jovem Timóteo: sobre uma mente cauterizada.
“Pela hipocrisia dos que falam mentiras e que tem cauterizada a própria consciência,” 1 Timóteo 4:2.
Um mundo constituído de mentiras, de hipocrisia. 
Ter um coração limpo é você entender que os valores eternos, os princípios eternos sempre prevalecerão. Que por mais que o mundo deturpado pela ignorância de mentes cauterizadas, que conseguem atingir esses corações sujos pelos modismos passageiros pareça belo, mas, somente são superficiais, possam vir a enxergar que somente uma vida cristã verdadeira terá um coração limpo.
Assim verão a Deus.
Pense nisso!
Pastor Edson Sobreira Alves
Igreja Batista Regular de Mangabeira – João Pessoa - PB



[1] D.A. Carson. O comentário de Mateus p.169. Shedd publicações

sábado, 6 de setembro de 2014

VESTINDO A CAMISA DO MUNDO



A expressão “vestir a camisa”, é usada no mundo corporativo, onde o funcionário assume o papel de um colaborador que investe ao máximo seu tempo na empresa em que trabalha para trazer melhores lucros e dividendos. Essa expressão foi transferida para todos seguimentos que incentivam alguém a se concentrar e dedicar em objetivos concretos para atingir as metas. Steve Jobs, grande empresário da Apples, já falecido, levava isso muito a sério, ao ponto de exigir de seus funcionários que deixassem até suas famílias para trabalhar melhor em sua empresa – ele dizia “Escolha sua família ou seu emprego”. Ele chegou a empregar mais de cem mil pessoas, onde a rotatividade era constante. O funcionário que não atingia sua meta, não tinha chance, era trocado imediatamente, pois existia um grande contingente na fila de espera. Dizem que houve um grande índice de divórcios em sua empresa.

Vestir a camisa tem um ponto positivo no sentido da dedicação para atingir metas, estas metas podem ser construtivas, devem ser com objetivos claros em prol de muitos. Transferindo essa expressão um pouco modificada para o cristianismo encontramos a palavra “revestir-se”.

Ela é usada diversas vezes pelo apóstolo Paulo em suas epístolas. Por exemplo, em Romanos 13.14 ele diz: “mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”.

Esse versículo é a conclusão de um ensino importante de Paulo onde o início do parágrafestá no verso 11, falando como uma advertência acerca de nossa preparação para o fim. Ele fala que já é hora de acordar, já descansamos o suficiente agora temos que agir, pois conhecemos o tempo. Ele fala de uma batalha onde temos que vestir a armadura para estarmos preparados (v.12). No verso 13 ele faz uma aplicação direta para os nossos dias, em que devemos deixar as orgias, as bebedices, as impudicícias e dissoluções, contendas e ciúmes.

Como está sua vida cristã? Você se revestiu de Cristo para enfrentar o mundo? Ou você está vestindo a camisa do mundo?

Quem é mais fácil de se resguardar do mundo? Um jovem que já nasceu em um lar cristão ou um jovem que viveu sua infância e adolescência no mundo e depois se converteu?

Aquele que conheceu o mundo sabe o quanto ele é cruel, enganador e astuto. Estas características são do próprio diabo. O jovem que viveu na igreja e sente o desejo de conhecer o mundo, provar um pouco das agitações dele. Sutilmente trocam suas camisas de versículos bíblicos e personalizadas das obras da igreja pelas camisetas de bandas de hevy metal. Muitos deles acabam fazendo um sincretismo achando que podem ser do mundo e ser de Deus. Esquecem que João, o jovem discípulo amado disse em sua primeira epístola: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procedem do Pai, mas procede do mundo” (1Jo 2:15,16).

Há dois extremos radicais praticados no cristianismo um herdado do judaísmo, o legalismo e o outro herdado do mundo moderno, o liberalismo. Devemos ponderar nossa vida cristã. Devemos lembrar que o Senhor Jesus em sua oração sacerdotal disse; “Não peço que os tire do mundo, e sim que os guardes do mal”. (Jo 17.15). A frase: “os guarde do mal" é a proteção contra Satanás e todas as forças que o seguem.

Vivendo neste mundo precisamos constantemente de oração e de proteção, essa necessidade é suprida quando temos intimidade com nosso protetor, o Senhor Jesus Cristo. Temos que viver neste mundo protegidos em comunhão com o Senhor. Ficamos desprotegidos quando acabamos essa comunhão através do pecado contra Deus. Então, ficamos sem saber como podemos viver neste mundo evitando o pecado se pecamos constantemente. O problema é que o pecado vem em nossa mente, mas ele é consumado quando o praticamos, e quando fazemos isso criamos uma barreira entre nós e Deus e perdemos nossa comunhão com Ele, depois vem muitas provações. Cada vez mais envolvidos com o mundo trocamos valores, pois iludidos com o sucesso no mundo, que é passageiro, somos enganados, depois descobrimos tarde demais a besteira que fizemos.

Como isso acontece? Sutilmente e aos poucos. Eu deixo de ler a Bíblia de orar e de adorar. Por outro lado extremo faço todas essas coisas me aprofundando na palavra, me torno orgulhoso e acho que sou forte o bastante para viver nos dois lados, no mundo e na igreja. Visto a roupa do mundo quando estou no mundo e visto a roupa da igreja quando estou na igreja. Enganamos a nós mesmos. Um resultado de fraqueza ou de orgulho de extrema força.

Jesus conseguia separar tudo isso e deu o exemplo. Estava no meio dos ladrões, das prostitutas para fazer uma diferença, não se tornava um deles, tinha compaixão e levava a verdade, quando concluía o confronto, dizia aos seus ouvintes, perdoando-os: “vá e não peques mais”.

Por que os novos cristãos dos nossos dias querem mudar os princípios eternos? Chamo atenção para as novas gerações, que acham que podem viver nos dois mundos, no cristianismo e no mundanismo. Esquecendo dos valores eternos, como sexo só dentro do casamento, não pecar com orgias e concupiscências, preservando seu corpo que é templo do Espírito de Deus.

Eu sou do tempo que quando alguém se convertia deixava apráticas do mundo, isso somente há duas décadas atrás. Deixava os maus hábitos, vícios músicas do mundo que não edificam. Hoje vemos jovens cristãos andam nas baladas da noite, nas bebedeiras e no sexo livre. Eles se arrependerão tarde demais quando o Senhor Jesus lhes disser: “Não os conheço, aparta-te de mim”.

Tudo isso é resultado do ciclo degenerativo que aconteceu na Ásia, Europa, Estados Unidos, e agora está no Brasil. Os cristãos brasileiros estão sendo superficiais seguindo vários exemplos dos cristãos na outra América, muito diferentes dos cristãos que se convertem no oriente e são perseguidos e mortos por sua fé. Cristianismo não é uma viagem a Disney, nem umas férias em Resorts, mas suor e luta, quem põe a mão no arado não pode olhar pra trás, quem é liberto do pecado das garras do pecado, tem que levar sua cruz e seguir o Senhor Jesus Cristo.

Tudo isso que estou falando não é legalismo, mas são princípios eternos. Vocês se envolvem facilmente e sutilmente em liberalismo maquiado de valores superficiais e não percebem que cada vez mais estão se distanciando, pois muitas vezes caem nas idéias de algum jovem pregador, moderno, que prega que tudo isso é irrelevante, fuja dele!

Estamos perdendo a pureza, o amor, as convicções absolutas para trocar por filosofias insanas aprendidas nas Universidades da vida. Leia a Bíblia, estude a vida dos puritanos e aplique verdadeiros valores em sua vida. Se matricule na Universidade do Senhor Jesus. Não vista a camisa do mudo. Vista a camisa de Deus.

Pense nisso

Pastor Edson Sobreira Alves SSS – Igreja Batista Regular de Mangabeira - João Pessoa - PB

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

APREDENDO E VIVENDO



A frase do dito popular é “vivendo e aprendendo”. Mas, o que vem primeiro, o viver ou o aprender? Vivemos o que aprendemos ou aprendemos para viver?

Ao abrir o amanhecer da vida, o ser humano recém nascido é submetido ao aprendizado ao longo de toda sua existência. Aprendemos com nossos pais as primeiras palavras, os primeiros passos. Tudo aquilo que aprendemos, carregamos como bagagem na caminhada de nossa existência, bagagens boas e bagagens ruins. Ao ouvirmos as palavras que ressoam em nossa volta vamos associando e finalmente sabemos que ao pronunciarmos tais palavras e frases estaremos interagindo em nossa comunicação com os outros, ninguém que aprende a falar deixa de usar suas vozes para se comunicar, ninguém que aprende a andar, deixa de usar suas pernas para se locomover estando em sã condição.

Um médico aprende a cuidar da saúde de seus pacientes, mas se ele não usar seus conhecimentos não exercerá sua profissão. É certo que aprendemos muitas coisas que achamos desnecessárias para nossa vida. Muitos odeiam matemática, física ou química, mas muitos vivem desses conhecimentos.

O que é que realmente vale de tudo aquilo que aprendemos para termos uma vida plena?

Existem verdades absolutas que devemos seguir como princípio regulador de nossa existência, nas quais muitos ignoram e dizem: “Não há verdade absoluta”.

Primeiro porque acham que verdades absolutas ferem sua liberdade de ser. Os princípios cristãos são verdades absolutas ensinadas pelo próprio Criador que criou todas as coisas. Estes princípios regem o mundo desde que todas as coisas foram criadas, as leis físicas, químicas e matemáticas foram feitas por Deus e à medida que o homem adquiriu mais conhecimento vai descobrindo essas leis, mas elas estavam sempre lá.

As leis morais são universais, pois foram instituídas para manter um padrão favorável à vida social equilibrada em que o homem deveria viver.

Em segundo lugar, eles não crêem em verdades absolutas por acharem que não exista o Criador de todas as coisas.

Todas as respostas necessárias que a humanidade busca desvendar no universo, acerca de sua existência e seu propósito de vida neste mundo está nas Escrituras Sagradas que são palavras do próprio Deus. Mas só conseguimos enxergar esta realidade, quando o próprio Criador nos toca, nos faz acordar de uma morte espiritual causada pelo pecado.

A base de todas as Escrituras é Cristo, ele está presente tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Ele é a resposta para nossas duvidas, é alicerce para o nosso conhecimento. Ele disse em Mateus 11:29 “... aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e achareis descanso para vossa alma”. Quando ele toma conta de sua vida, sua mente deturpada pela barreira do pecado é desobstruída e você se livra para enxergar a verdade absoluta. Aprendemos tudo o que é necessário acerca dele para vivermos uma vida plena.

Você deve viver como Paulo diz em Gálatas 2:20 “logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”

Mas, aquilo que aprendemos sobre ele que serve como padrão para sermos iguais a ele, tem que ser exercido em nossa vida, tem que ser aplicado em nosso cotidiano. Temos que ser como um médico exercendo aquilo que ele estudou e aprendeu, aplicando em sua vida e na dos outros. Mas, na maioria das vezes somos como um profissional formado na mais famosa universidade que não exerce sua profissão e somos como engenheiros, professores, economistas, em uma fila de emprego disputando uma vaga para gari – não desmerecendo o profissional que mantém a limpeza da cidade, que por sinal é muito honrosa e deveria ser bem remunerado – mas estou tentando fazer uma ponte daquilo que aprendemos acerca de Deus e não aplicamos em nossa vida.

Aprendendo e vivendo, só podemos ter uma vida plena quando aprendemos que devemos ser humildes como Cristo foi e nos ensinou a ser, se aplicarmos esse ensino em nossa vida. Só realmente viveremos o cristianismo se amar como Jesus amou e perdoar como Ele perdoou se tivermos domínio próprio como o Senhor demonstrou. Se observarmos, aprendermos e aplicarmos o frutos do Espírito (Gl 5:22) em nosso ser, buscando o caráter de Deus, expressando aquilo que aprendemos como nossos atos de justiça seremos parecidos com Cristo.

Milhões de pessoas estão nas igrejas aprendendo acerca de Cristo e seus ensinamentos, mas não vivem aquilo que aprendem.

O nosso desafio é abrir primeiro os nossos olhos e depois os dos outros para sermos como um profissional dedicado aplicando aquilo que aprendeu para viver em uma verdade absoluta.

Você tem vivido aquilo que aprendeu na Escola Bíblica Dominical, nas pregações do culto de adoração, você tem anotado e analisado, tirado suas dúvidas para aplicar em sua vida e na vida de sua família?

Você precisa aplicar em sua existência, aquilo que você aprende acerca do Criador e terá uma vida plena com valores absolutos.

Pense nisso!

Pr. Edson Sobreira Alves – Igreja Batista Regular de Mangabeira – João Pessoa - PB