segunda-feira, 16 de outubro de 2017

CARPE DIEM + CORAM DEO

“Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente.” (Salmos 16:11). 

O salmista expressa a ideia de duas palavras: a primeira é Carpe diem é uma expressão latina que significa aproveitar cada momento da vida com toda intensidade, mas isso não poderia acontecer sem outra expressão latina Coram Deo, que significa vivendo na presença de Deus.
 Não há uma dicotomia entre essas duas expressões. Há uma dependência total da criatura em relação ao Criador. O homem busca com toda intensidade viver uma vida plena, aproveitando ao máximo do chronos. Suas 24 horas por dia, se fosse possível, poderia ser dobrada. Cada dia parece que o tempo não é suficiente para as realizações humanas. O mundo tecnológico, pós-moderno, tem transformado nossos hábitos, chegando ao ponto de achamos que as coisas simples da vida não são importantes.
O homem está mais introspectivo, vivendo individualmente em seu próprio Cosmos.  Por outro lado ele busca, ou pelo menos tenta, viver socialmente, sim, pois característica é uma necessidade intrínseca gravada no coração, mas que tem sido perdido neste capítulo na história da humanidade, por causa do pecado. As pessoas procuram justificar seus erros nos outros e vivem de aparência, num contexto politicamente correto e ético em seu ponto de vista, onde se cumprimentam com educação aparente, mas destilam altas críticas na ausência do outro.
Deus nunca foge de nossa presença, nunca se esconde, nunca está longe, somos nós que nos afastamos, buscando uma independência, um autopoder inalcançável. Mas esquecemos de que somos limitados e dependentes. Quando estamos frágeis, debilitados, impotentes, buscamos incansavelmente soluções pragmáticas para nossos problemas, por diversos meios, então quando chegamos às últimas consequências, buscamos o Criador. Portanto, Viver cada dia aproveitando cada minuto com muita intensidade de nossa vida é ter uma vida plena e abundante somente é possível se for à presença de Deus, isso é Carpe Diem somado com Coram Deo.

Pastor Edson Sobreira da IBRM 

sábado, 12 de agosto de 2017

SER PAI É...

A projeção de ser pai começa quando você vê Deus direcionando sua vida para um relacionamento com uma jovem que venha ser sua esposa. Ser pai é ver seu primeiro filho nascer, é ver seu segundo filho nascer, é ver seu terceiro filho nascer, e quem sabe ver o quarto, o quinto e assim por diante.

Para muitos ou para todos, ser pai deveria ser participar da vida dos filhos, começando com o trocar de fraudas, fazer o mingal, e isso fiz muito com todos eles. É tirar os dentes de leite com uma linha, isso também eu fiz. Ser pai é cuidar dos filhos nas enfermidades, acordando nas madrugadas. Ser pai é acompanhar os primeiros passos, é ensinar a andar de bicicleta. Ser pai é levar os filhos à escola de bicicleta, de moto e quem sabe de carro. É começar os deixando dentro da sala de aula por não querer deixá-los sozinhos nos primeiros dias, depois deixá-los no portão, e quando já estão na adolescência deixa-los o mais longe do portão possível. Ser pai é brincar com os filhos até tarde da noite, enquanto não pegam no sono, mesmo que você esteja se sentido cansado e com muito sono, é ler histórias em suas camas antes de dormir. Ser pai é entender que o filho é uma extensão de sua vida, mas que talvez não seja igual a você. Ser pai é saber que um filho não será igual ao outro, mas que devemos dispensar o mesmo amor para com cada um. Ser pai é saber que tudo o que fazemos ou falamos será imitado pelo filho. Ser pai é amar a esposa e demonstrar isso aos filhos, assim se sentirão seguros. Ser pai é orientar os filhos para vida, para o mundo. Ser pai é amar a Deus sobre todas as coisas, é amar acima dos filhos, demonstrando isso todos os dias. E assim poderemos amar verdadeiramente nossos filhos, mostrando a importância de colocar Deus em primeiro lugar. Ser pai é ser grato a Deus pelo presente, pelo privilégio, pela responsabilidade, pelo milagre de gerar, e criar filhos nos caminhos do Criador. Ser pai é mostra que só existe um único caminho para a vida. O caminho que é a verdade, que é vida, que é Jesus Cristo. (Pr. Edson Sobreira Alves).

quarta-feira, 17 de maio de 2017

A ESPIRITUALIDADE SEM DEUS


Lendo uma entrevista com o filósofo americano Sam Harris na revista “Veja”, foi interessante notar que ninguém neste mundo vive sem certa religiosidade, até o ateu que se autodenomina ateu é um ser religioso. Podemos questionar religiosidade na forma. Primeiro é preciso ver o que define religião, fé e crença. Averiguar porque o homem busca religião. E necessário entender que a fé exige um objeto de crença, assim como a religião. A grande diferença da fé é que podemos crer e ter a certeza daquilo que nós não vemos, mas que um dia veremos face a face. A religião está ligada mais nos atos religiosos, os rituais e normalmente estes atos são repetitivos, sem fundamentos e objetivos, fazendo por fazer porque os outros fazem ou porque você faz parte deste grupo, por tradição, porque meus avós faziam, então, por que não fazer? Nesse sentido o ser humano quando volta a pensar fica perdido, porque perdeu o sentido. Que sentido seria este? O sentido da vida. Qual seria o propósito da vida? E como a fé, a crença, ou a religião pode auxiliar nesta busca de respostas? Não é atoa que vivemos! E nós não vivemos apenas por viver. E se alguém acha que é isso, esse tal é insano e está totalmente enganado. Há um propósito, e com certeza é um grande propósito. Infelizmente entrevistas como estas, que trazem somente um ponto de vista levam à formação de opiniões unilaterais que deixam os leitores ainda mais perturbados ou se entregam aumentando as fileiras de um povo que segue a multidão sem questionarem.
O filosofo, escritor e neurocientista americano Sam Harris que publicou “O fim da fé” ou Morte da fé, em 2004, ele tinha uma cosmovisão que perturbou seus pensamentos, como muitos filósofos ateus que propagam suas convicções e tentam chamar atenção para seu próprio eu.  Ele diz que a espiritualidade deve ser distinta da religião. A maioria dos ateus que questionam Deus, que indagam sua existência, teve uma infância conturbada que envolveu a religião, a crença, a fé e a frustração. Eles chegaram a um ponto crucial de suas vidas, onde tiveram alguma grande decepção, alguns conflitos, e por não terem uma orientação adequada acerca do propósito da vida tomaram posicionamentos radicais. Vi isso recentemente quando tive uma experiência de um professor no curso de mestrado em ciência das religiões na Universidade Federal da Paraíba. Ele se dizia ateu tibetano, e estava cursando o pós-doutorado em filosofia das religiões.  De origem católica, demonstrava uma aversão total pela religião, mas o mais interessante é que ele confundia cristianismo com catolicismo, e falava coisas absurdas sobre o cristianismo sem conhecer profundamente o que é realmente cristianismo, ele pegou no meu pé, por ter um posicionamento contrário ao dele. 

Voltando ao Harris, ele foi filho de mãe judia e pai Quaker, imagine a mistura na cabeça da criança.  Foi fazer filosofia para concertar seus traumas e terminou fazendo doutorado. Sim! Uma pessoa com doutorado tem uma visão mais ampla, e praticamente todos o ouvem, ele pode falar o que quiser.  A mensagem básica de Harris é que devemos questionar livremente a ideia de religião e que realmente não necessário meditar com uma religião. Ele diz que não precisa de Deus para buscar certa sensação de prazer e felicidade. Sua primeira experiência foi com LSD, e depois com meditações budistas.  Os que se enveredam com drogas formam um grupo com hábitos que chega a caracterizar uma religião e também budismo é religião. É importante, também frisar o seu questionamento ateísta sobre a veracidade da Bíblia inspirada por um Deus Onisciente.  Suas convicções são infundadas, por não conhecer o autor e consumador da nossa fé. O verdadeiro cristianismo vai além das religiões, pois ele não busca êxtase para satisfação individual em uma meditação, mas busca uma harmonia coletiva de adoração, baseada numa verdade absoluta.

Pense nisso!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

INSENSIBILIDADE CRISTÃ


Vivemos num mundo pós-moderno em que, inevitavelmente e gradativamente estamos se moldando em formas de diversos tamanhos, das quais tem o formato, individualista, hedonista, pragmática, etc.
As pessoas se tornam individualistas porque se deixaram levar em uma tendência circunstancial de não pensar senão em si, buscando uma liberdade de toda solidariedade com seu grupo social, e desenvolve excessivamente o valor e os direitos do indivíduo. Tornam-se hedonistas, porque buscam incessantemente pelo prazer como um bem supremo. Tornam-se pragmáticas para pular etapas considerando a utilização prática em oposição à teoria, analisando as coisas através de uma abordagem pragmática. Utilizando a filosofia utilitária, onde a corrente de pensamento que se pauta no uso prático de uma ideia, como o principio básico de sua verdade e êxito.
E quais são os reflexos de tudo isso? Quais são as camadas da sociedade que absorvem tudo isso, que não questionam, que não avaliam, que não discernem? Todas as camadas sociais.
Qual é o conceito de insensibilidade? É condição ou particularidade de quem (ou do que) não é sensível aos estímulos físicos: insensibilidade ao calor. Que não se consegue emocionar; que não consegue ter sentimentos amorosos, afetivos, etc.; indiferença. Falta de percepção; indiferença aos detalhes de teor estético ou intelectual. Quando assiste a um filme dramático não consegue derramar lágrimas.
Por que nos tornamos insensíveis?  A insensibilidade surge quando, em nosso ponto de vista, em nosso conceito algo se torna monótono, repetitivo, onde perdemos o interesse, por parecer que aquilo se tornou sem muita importância para nós agora.  Sempre queremos algo novo e deixamos de perceber que muitas coisas antigas tem seu valor mesmo no âmbito atual de nossa era tecnológica. A insensibilidade nos prega uma peça, e não conseguimos enxergar verdadeiramente os valores que estão por trás de tudo aquilo, não conseguimos discernir o que é mais importante, que é prioridade.
A conotação da palavra “sensibilidade” ao longo do tempo ficou atrelada mais a quem é emotiva, assim também essa palavra ficou mais ligada à mulher, que é considerada mais sensível, que se derrete facilmente em qualquer circunstância que exige mais emoção. No entanto a sensibilidade faz parte do ser humano, quer seja homem ou mulher.
Talvez você que é jovem, seja insensível com o mais velho, então sugiro que procure conversar com um idoso em sua calçada, sentando com essa pessoa, por pelo menos uma hora. Talvez você diga que não tem tempo para isso, mas se o fizer verá o quanto é importante ser sensível nessa área.
Sempre achei interessante conversar com idosos, eles sempre tem algo a nos ensinar. Hoje já estou ficando velho (54 anos) e já percebo que há insensibilidade da parte dos jovens em minha volta, já está sendo expressivo.
Não somos insensíveis somente com os idosos, somos insensíveis com nossos pais, com nossos filhos, com nossos cônjuges, com os mais pobres, com os mais ricos, com os mais cultos, com os menos cultos, com os descrentes, e com os crentes.
Por que somos insensíveis com os outros? Porque não conhecemos aquele que teve a sensibilidade com toda sua criação. Que olhou para o homem caído indigno de sua presença, e mesmo assim se preocupou com ele. A insensibilidade está atingindo nosso relacionamento com Deus.
A insensibilidade mascara os sentimentos verdadeiros e nos deixa com corações duros e egocêntricos.  Jesus foi sensível com as situações de todos aqueles que o procuravam e deu oportunidades, nas quais alguns aproveitaram e outros deixaram escapar. Ele foi sensível com a mulher fenícia, com a mulher samaritana, com o fariseu, com o publicano, com a prostituta e com o jovem rico. Todos tiveram o prazer de sentir a demonstração do Criador em sua atitude de reconhecer suas necessidades.
Nossa insensibilidade no contexto atual mostra que não conseguimos absorver um dos ensinos mais importantes para nossa vida cristã.
Não suportamos a insensibilidade dos outros, porque temos a mesma atitude, e não conseguimos enxergar, na maioria das vezes estamos usando a máscara de religiosidade.
A insensibilidade nasce no coração de forma imperceptível inicialmente, vai se instalando na mente e manifesta nas situações corriqueiras da vida.  Até nossos sentidos são afetados, não conseguimos ver, nem ouvir.
Éramos assim antes de Deus nos tornar sensível ao seu chamado.
O profeta Isaías diz: "Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo." (Isaías 6:10) 
Será que depois dessa mudança de vida, nos tornamos novamente insensíveis?

Pense nisso!


Pastor Edson Sobreira Alves

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A DIDÁTICA ANDRAGÓGICA DE JESUS


A DIDÁTICA ANDRAGÓGICA DE JESUS


Edson Sobreira Alves*
“Aplica o coração ao ensino e os ouvidos às palavras do conhecimento” (Provérbios 23.12)
RESUMO
Neste artigo o autor, procura mostrar a importância do método de ensino teológico usado por Jesus. Ele escolheu homens adultos nos diferentes seguimentos daquela sociedade, assim ele usou a andragogia[1]. Durante os três anos ele aplicou uma perfeita didática para o sucesso na formação dos discípulos. A principal missão de Jesus foi entregar sua vida como sacrifício pelos pecados. A missão dos doze discípulos escolhidos – espalhar o Evangelho a todas as nações. Homens simples, alguns até de duvidoso caráter dentro da sociedade. A maioria, pescadores, outros, como cobradores de impostos, odiados pelos próprios patrícios. Jesus, com base em sua formação judaica, usou em suas preleções expositivas para o ensino do Evangelho. O uso dos mandamentos bíblicos foi importante para seu ensino, pois era cotidiano de seus ouvintes. Ele usou parábolas, método eficaz no contexto judaico. Tanto seus discípulos quanto seus inimigos, ficavam admirados, pois os ensinava com autoridade e humildade.
PALAVRAS-CHAVE
Andragogia; Ensino; Jesus; Parábolas.
INTRODUÇÃO
O ser humano é munido de intelecto que favorece um constante aprendizado, desde seu nascimento ao longo de sua vida e até sua morte, ele não cessa de aprender. Há diferentes métodos de aprendizados para diversas faixas etárias. A criança começa a aprender por imitação, observando seus pais, desenvolvendo a fala e naturalmente usando seus membros superiores e inferiores para pegar e andar respectivamente. O desenvolvimento da comunicação começa com sua necessidade da alimentação onde seu primeiro sinal de expressar que está na hora de comer algo é através do choro. Quando todos esses processos primários e naturais estão basicamente desenvolvidos, começam a surgir maior atenção e orientação da parte dos pais e dos educadores para formação daquele indivíduo para a sociedade. Dependendo da forma e do conteúdo de aprendizado somados ao contexto social em que vive e ao que recebe durante suas duas primeiras décadas de vida, resultará em uma pessoa bem sucedida ou mal sucedida.
O povo judeu, no Antigo Testamento e no início do Novo testamento foi orientado na formação de sua vida pelos princípios teológicos do Deus de Israel. A base do ensino judaico acerca das leis que regiam esse povo, eram amplamente e rigorosamente inseridas, em suas mentes desde sua infância (Deuteronômios 6.4-9), através do judaísmo que por sua vez serviu como base da formação do cristianismo.
Diante disso, queremos observar alguns aspectos e o propósito da educação teológica através do método usado pelo Senhor Jesus na formação dos doze discípulos, considerando um dos propósitos: a Grande Missão. Assim teremos uma visão clara da eficácia dos métodos de ensino empregados pelo Senhor Jesus Cristo.
Pode-se observar que este estudo mostra três pontos principais que serviram como base para o ensino de Jesus e assim entendermos porque ele foi bem sucedido. Os pontos são: os mandamentos do Antigo Testamento, as parábolas como recurso didático para embasar os ensinos e as boas novas que é o Evangelho que interage com seu próprio testemunho e o propósito de vida do próprio professor, Jesus.
I.                   O USO DOS MANDAMENTOS DO ANTIGO TESTAMENTO
Jesus sendo judeu tinha como base, de seus estudos teológicos, o judaísmo que influenciava no âmbito tanto religioso quanto cultural e social de um povo escolhido e separado por Deus. Os judeus tinham a preocupação de inserir sua religião como formação de sua sociedade regida pelo Deus de Israel. Desde Abraão, seu patriarca, o povo de Israel recebeu os ensinos pela tradição passando de pai para filho, que passaram a serem os preceitos morais e cerimoniais.
Todos os ensinos da tradição foram compilados a partir dos cinco primeiros livros das Escrituras, chamado “Pentateuco”, fazendo parte inicial da Bíblia do Antigo Testamento que foram escritos por Moisés, mas “inspirado por Deus” (2 Timóteo 3.16). Portanto, o povo com os ensinamentos de Deus em mãos foram passando para novas gerações através da didática da repetição, decoração de versículos, leitura pública da Palavra, preleções e exortações de profetas, juízes, sacerdotes e reis. Eles contavam as histórias do seu povo, e o próprio Deus interagia com eles, os ensinando e os inspirando a escreverem os registros bíblicos, completando assim o Antigo Testamento.
Os livros do Antigo Testamento se transformaram em um manual de ensino ao povo de Israel, com leis morais, leis cerimoniais, que orientavam todos a adorarem e a obedecerem ao único Deus (Monoteísmo). Uma grande nação que fora perseguida e dispersa.
O Antigo Testamento começa mostrando a criação e o princípio da humanidade na terra. Ele dá respostas claras do princípio de tudo e do poder do Criador, mostra também a condição do homem destituído de Deus por causa do pecado da desobediência, um Deus misericordioso que levanta uma nação separada das outras para voltarem a adorar um Deus único. Finalmente mostra uma promessa para remissão do pecado da humanidade vinda através dos próprios judeus.
Jesus aparece nos tempos do Novo Testamento, trazendo boas – novas  para um povo perdido, o Evangelho. Jesus começa seu ministério escolhendo dentre a multidão de pessoas que estão lhe seguindo, doze homens, que serão preparados para uma grande missão. Durante aproximadamente três anos, Jesus ensina estes homens e dá inicio a maior mudança que humanidade pode ter durante toda sua existência.
Os judeus, doutores da Lei, os fariseus, os escribas começaram a observar uma mudança muito grande, que nunca houve antes. E testaram Jesus procurando algo em que o condenasse. Mas ele ensinava como quem tinha autoridade (Marcos 1.22) e humildade. Tudo o que ele aprendeu no judaísmo serviu como base para seu novo ensinamento acerca do Evangelho. Ele preparou seus apóstolos para serem enviados para espalhar seus ensinos a toda as nações. Nota que Jesus escolheu pessoas de diversos segmentos na sociedade, pescadores, coletores de impostos e outros. Ele não escolheu crianças que pudesse começar do zero formando o caráter de cada uma delas, mas iniciou com adultos, com caráter já formado e pressupostos de suas experiências de vida, assim ele não usou a pedagogia para ensiná-los, mas usou a andragogia.
 Segundo Antônio Carlos Gil (2007, p.12) o termo “Andragogia é usado para referir-se à arte e a ciência de orientar os adultos a aprender”.
 A Andragogia “fundamenta-se nos seguintes princípios: No conceito de aprendente; necessidade do conhecimento; motivação para aprender; o papel da experiência e prontidão para o aprendizado” (Gil, 2007, p. 12, 13).
A Andragogia usada por Jesus como didática possibilitava um aprendizado mais eficaz devido haver “variáveis comuns aos alunos” (os discípulos), “ao professor” (Jesus) e ao “curso”(o Evangelho com base do Judaísmo) (Gil, 2007, p. 13-16).
II.                O USO DAS PARÁBOLAS
Jesus usou as parábolas como um recurso didático para passar aos seus discípulos aquilo que ele queria que eles aprendessem.
Parábolas era um costume didático do judaísmo, também usado nos tempos do Antigo Testamento.
O que realmente significa a parábola? Para entendermos um pouco sobre o significado da parábola, o intérprete de parábolas do século XX, Jeremias (apud KENNETH BAILEY[2], 1995, p.12,13) observou:

Esta palavra (parábola) pode significar, na linguagem comum do judaísmo pós-bíblico, sem que recorra a uma classificação formal, formas figurativas de linguagem de todos os tipos: parábola, símile, alegoria, fábula, provérbio, revelação apocalíptica, enigma, símbolo, pseudônimo, pessoa fictícia, exemplo, tema, argumento, apologia, refutação, anedota.

Jesus usou muitas parábolas. No Evangelho de Lucas onde elas são mais citadas, podemos observar uma delas como exemplo, a mais conhecida, a “Parábola do Semeador”, em seu comentário, (WIERSBE, 2009, p.258) faz uma introdução, ele escreveu:
                              
Um dos temas centrais de Lucas 8 é como desenvolver a fé e usá-la nas experiências diárias da vida. Na primeira seção, Jesus apresentou os fundamentos, ensinando a seus discípulos que a fé vem por receber a Palavra de Deus em um coração compreensivo. Na segunda parte, os fez passar por várias “avaliações” para ver quanto haviam aprendido de fato. A maioria de nós gostaria de escapar das avaliações, às quais, muitas vezes, somos submetidos depois das lições! No entanto, é nas provas da vida que a fé se desenvolve e que nos aproximamos de Cristo.

III.             O USO DAS BOAS-NOVAS
Ao estudarmos o evangelho de Jesus, nossa preocupação principal não pode ser com sistemas acadêmicos de teologia, nem com opiniões específicas de certos teólogos acerca de uma determinada doutrina. (MacArthur, 2008, p. 28).
Jesus ensinava para as multidões (Sermão do Monte), ensinava para seus apóstolos, e ensinava para indivíduos exclusivamente.
Uma das passagens mais marcantes e fundamentais de todo o Evangelho e porque não dizer de todas as Escrituras, tanto do Antigo Testamento como do Novo Testamento é o versículo que é conhecido em todo o mundo e que resume todo o plano de Deus para a humanidade. Ele está no Evangelho de João no capítulo 3 no verso 16 que diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Esta passagem se originou de um diálogo de Jesus com um doutor da Lei, o fariseu chamado Nicodemos. Jesus está ministrando um ensinamento profundo para um homem inteligente diante daquela sociedade Judaica. Nicodemos tinha uma posição honrada, segundo alguns comentaristas, ele temia ser visto em público com Jesus, então, ele foi à noite falar com Jesus para tirar algumas duvidas de seus ensinos.
Segundo MacArthur (2008, p. 46) sobre o encontro de Jesus com Nicodemos, ele diz:
Trata-se do primeiro encontro evangelístico pessoal de Jesus registrado nos evangelhos. Ironicamente Jesus, que tanto confrontou a falta de fé dos fariseus e seu antagonismo cabal, iniciou o seu ministério evangelístico atendendo a um líder fariseu que O procurou com uma declaração solene e entusiasmada. Poderíamos esperar que Jesus recebesse Nicodemos calorosamente e interpretasse a sua atitude positiva como uma profissão de fé, mas esse não foi o caso. Longe de encorajar Nicodemos, o Senhor Jesus, que conhecia a incredulidade e a auto-justiça existente no coração dele, tratou-o como incrédulo.
Jesus ensina Nicodemos que apesar de sua posição ele precisava nascer de novo. A expressão “nascer de novo” ficou marcada pelos cristãos como o marco da reconciliação do homem para com Deus. A analogia foi clara, Jesus mostra a ação da Criação mais sublime que Deus proporcionou ao homem de gerar sua própria espécie agora ele diz ao homem que ele tem que nascer de novo, mas do Espírito. A didática Andragógica torna-se explicita pela própria experiência do homem em gerar uma nova vida. Portanto, fica claro que seu novo nascimento que também é a renovação sua vida voltada aos conceitos fundamentais do cristianismo.
CONCLUSÃO
Conclui-se que os ensinos de Jesus transformaram o mundo que conhecemos e proporcionou uma visão clara e correta de quem somos, como vivemos e como devemos viver. Jesus não somente fez escolhas certas, também foi bem sucedido em seu propósito. Mesmo como homem em suas limitações ele provou que a humanidade é a criação mais sublime de Deus, e que toda a história gira em torno de Jesus Cristo proporcionando ao homem a solução para suas indagações inconclusas por si só. Vivendo como homem, Jesus interagiu com sua criação e deu oportunidade de uma abertura grandiosa de conhecimento que o homem jamais conseguiria enxergar. Ele mostrou que o ensino bem estruturado com amor e métodos que envolvem os indivíduos em seu cotidiano mesmo imperfeito, pode lhes proporcionar uma consciência limpa para ter como base o próprio Criador para sua reconstrução como um indivíduo se tornando e se posicionando como o Filho do Deus vivo.
ABSTRACT
In this article, the author tries to show the importance of theological teaching method used by Jesus. He chose adult men in different segments of that society, so he used andragogy. During the three years, he applied a didactic perfect for success in the training of disciples. The primary mission of Jesus was giving his life as a sacrifice for sins. The mission of the twelve disciples chosen - spread the Gospel to all nations. Simple men, some even of doubtful character within society. Most, fishermen, others, such as tax collectors, hated by their own compatriots. Jesus, based on his Jewish background, used in his expository lectures for the teaching of the Gospel. The use of biblical commandments was important in his teaching, for he was daily lives of his listeners. He used parables, effective method in the Jewish context. So much his disciples as his enemies were amazed, because he taught them with authority and humility.
KEYWORDS
Andragogy; Jesus; Education; Parables.


REFERÊNCIAS
BAILEY, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. Tradução de Adiel Almeida de Oliveira. 3. Ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.
GIL, Antônio Carlos, Didática do ensino superior. São Paulo: Atlas, 2007.
MACARTHUR JR, John F. O Evangelho Segundo Jesus. 2. Ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2008.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo – Antigo Testamento – volume 1 – Pentateuco. Tradução de Susana E. Klassen. Santo André: Geográfica editora, 2009.





*O autor é batista da Igreja Batista Regular de Mangabeira (IBRM), Pastor da IBRM, professor do Esdras – Instituto Teológico Bíblico. Está fazendo Mestrado em Exposição Bíblica pelo Seminário Batista Logos de São Paulo e radialista da Kadoshi Web Rádio. Graduado em Teologia Exegética pelo Seminário Batista do Cariri – CE (SBC), e graduado em Economia pela Universidade Regional do Cariri (URCA), também é pós-graduado em Administração pela Faculdade Leão Sampaio.
[1]Andragogia é a arte ou ciência de orientar adultos a aprender, segundo a definição creditada a Malcolm Knowles, na década de 1970. O termo remete a um conceito de educação voltada para o adulto, em contraposição à pedagogia, que se refere à educação de crianças (do grego paidós, criança).
[2] Dr. Kenneth Bailey viveu por 47 anos no Oriente Médio onde, como estudioso da área do Novo Testamento, foi professor em várias instituições de ensino, entre elas o Tantur Ecumenical Istitute for Theological Research, em Jerusalém.