segunda-feira, 6 de maio de 2013

SAGRADO E PROFANO, UMA VISÃO CRISTÃ DAS CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES

O fenômeno da religiosidade mundial, leva à necessidade de estudo sobre este fenômeno. Os recentes estudos sobre a ciência da religião abre um leque para uma visão de uma grande diversidade da religião na história da humanidade. Podemos entender que os estudos recentes são uma pequena cosmovisão de uma realidade complexa que envolve o homem na busca de sua própria realidade. O homem naturalmente é um ser religioso por ser um ser social. As diversas formas de adoração que surgiram ao longo de sua existência mostram essa necessidade. O homem em sua totalidade ainda não encontrou a verdadeira forma e o verdadeiro motivo de sua necessidade de adorar algo superior a si próprio. Como um cego tentando achar um caminho que o leva a um objetivo real, o homem fica atirando para todos os lados tentando acertar o alvo. Através de seus próprios sentidos, ele direciona aquilo que acha que é verdadeiro para ele, mas sempre isso é direcionado para sua própria satisfação. A verdadeira adoração não busca nossos próprios interesses. Enquanto o homem não for tocado pelo seu próprio Criador (Deus) ele não enxergará o alvo. Então, ficaram buscando adoração naquilo que entende e que vê.
Na introdução de seu livro “O Sagrado e Profano” 1992, Mircea Eliade fala da nulidade do homem de ser não mais do que uma criatura e dá o exemplo de Abraão falando com Deus pouca da destruição de Sodoma e Gomorra, Eliade cita Genesis 18:27, isso não significa nulidade, mas na realidade somos realmente cinza e pó, Moisés está falando do corpo após a morte. Ele não vale mais pra nada, ele se transforma em pó que corresponde de onde fomos constituído do pó da terra. Todos os componentes da terra constitui o corpo humano isso é pura ciência. A qualidade do homem não deve ser baseada somente em sua matéria que um dia se acaba e vira pó.
Eliade falando sobre a hierofania não entende que quando o homem adora a criação (elementos da natureza), como pedra ou árvore, mesmo tentando mudar o direcionamento real do material, o homem pode dizer: “a pedra ou a arvore é uma representação”, ele acaba depositando toda sua confiança no objeto inanimado, como projeção do sagrado, mas isso, sendo indireto, acaba tornando-se direto, eles estão deixando de adorar o Criador. Não há necessidade de adorar a natureza, pois a verdadeira adoração tem que ser direcionada àquele que fez todas as coisas. O homem sente a necessidade de adorar algo, mas sua adoração é deturpada porque a natureza não tem superioridade sobre nós.
Não podemos separar o homem inserido na sociedade aparte do homem religioso, todo o homem é religioso, o ateu é religioso.
Eliade ao citar outra passagem bíblica tentando mostrar o espaço utilizado pelo o homem sagrado. Ele cita um contexto histórico que antecede a libertação do povo judeu da escravidão do Egito. Deus chama a atenção de Moisés (Êxodo 3:5) mostrando seu poder e a separação de um Ser transcendente que se torna imanente, assim voltando a se comunicar com sua criação, intercedendo diretamente na história. Em outra passagem, Jesus falando com a mulher samaritana (João 4:7-30), ele diz que não há lugar específico para adoração nem neste monte nem em Jerusalém adorais o Pai. Isso mostra que também o homem está equivocado em separar lugares e objetos sagrados para a adoração.
Pastor Edson Sobreira Alves
Igreja Batista Regular de Mangabeira – João Pessoa – PB.